Nos primeiros anos de vida, por não dominar os recursos da linguagem e, consequentemente, não conseguir exprimir verbalmente as suas contrariedades, a criança expressa a sua agressividade através de gritos, choro ou até com agressões físicas.
Por Fernanda Lapenda Silveira
O que podemos observar, sem sombra de dúvida, na fase da pré-escola (de 1 a 4 anos aproximadamente) é que toda criança tem dificuldades para dominar suas emoções. Quando é contrariada, ainda não tem maturidade emocional para se controlar e acaba explodindo: as crianças mais sentidas choram, outras mais agressivas partem para a ação, batendo, agredindo ou mordendo.
Esse ‘descontrole’ é normal e tem explicação. Freud, em sua teoria da personalidade, já dizia que, ao nascer o homem tem apenas a primeira estrutura, o Id, que representa os instintos. Nos primeiros anos de vida precisamos ser atendidos imediatamente em nossas necessidades; se o bebê tem fome ele se põe a chorar; se está com frio, molhado ou com sono, não demora a demonstrar seu desconforto. Ele não sabe esperar, definitivamente não consegue esperar.
, Pouco a pouco vai se formando a segunda estrutura, o Ego. Uma de suas funções mais importantes é desenvolver no indivíduo a capacidade de suportar as frustrações, os desejos não atendidos ou adiados. Quanto maior for a tolerância à frustração, mais o indivíduo cresce, mais ele se fortalece.
Como agir quando a agressão acontece?
Durante o período pré-escolar os pais controlam muitas das experiências de frustração e gratificação da criança, determinando se ela será premiada ou castigada por comportamentos agressivos e servindo como modelo para imitação. Essa é uma situação muito delicada, pois sabemos que um pai que emprega punição física para inibir comportamentos agressivos dos filhos também está servindo como modelo agressivo, demonstrando à criança o poder e a utilidade potencial da agressão.
Mesmo sabendo que nosso filho pequeno ainda não consegue dominar suas emoções, não devemos deixar que ele nos bata, chute ou agrida os outros. De modo nenhum.
Eles podem ter suas emoções ainda não dominadas, mas são muito capazes de entender os limites que lhes são colocados. A ação segura e firme - porém carinhosa dos pais e educadores - ajuda a criança a estruturar seu ego de forma mais rápida.
Entretanto, por ignorar esse fato, muitos pais, ao verem seus filhos chorando e esperneando por não tolerar alguma contrariedade, entre orgulhosos e assustados dizem: "Esse nosso filho tem muita personalidade". A cada vez que situações como essas acontecem, a criança aprende que funciona gritar, espernear e chutar para conseguir o que quer, e acaba repetindo esse comportamento. É por isso que vemos hoje em dia filhos batendo, beliscando, empurrando e puxando os pais quando não são atendidos imediatamente ou se contrariados em alguma coisa. São crianças que permanecem imaturas, instintivas e imediatistas.
Compreender que a criança está com raiva é uma coisa, permitir que ela nos agrida ou agrida os outros é algo muito diferente.
Dicas e sugestões que podem ajudar:
- Se a criança insistir em nos machucar, deveremos segurar a sua maõzinha e dizermos bem sérios: "Isso não é bonito, você não pode me bater".
- Às vezes, deixar de fazer algo que a criança goste muito também funciona; por exemplo, devemos dizer que estamos tristes porque nosso filhinho agiu mal e que por isso não vamos mais brincar hoje ou descer para o playground. Ele irá compreendendo que cada ação provoca uma reação, que poderá ser de aprovação ou de restrição.
- Muitas vezes pudemos constatar que ignorar a agressão e recompensar os comportamentos cooperativos e pacíficos através de atenção e elogios poderá ser de grande eficácia.
- Dizer para a criança que nós entendemos que ela está sentindo raiva e que nós sabemos o porquê disso poderá ajudá-la muito no sentido de que sentir raiva não é um sentimento negativo , feio ou ruim, mas que deve ser controlado.
Fernanda Lapenda Silveira é Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em Gestão Educacional.
Coordenadora Pedagógica do Colégio Interação Itupeva.