19 de março de 2012

Vamos falar de piolhos!



O que é pediculose?

Pediculose é a infestação por piolhos e lêndeas. Ela pode atingir qualquer pessoa, de qualquer idade, sexo ou classe social, com bons ou maus hábitos de higiene, mas ocorre principalmente em crianças de 3 a 10 anos, ou seja, em idade pré-escolar ou escolar. Ela é mais comum em meninas e rara em negros.

Como a pediculose é transmitida pelo contato pessoal ou pelo uso de objetos de outro indivíduo infestado, locais como escolas são propícios para sua proliferação. Por isso, ao menor sinal da presença de piolhos, avise a direção para que os outros pais sejam alertados sobre o problema. Esta é uma medida importante para auxiliar no controle de um possível surto. Mais crianças podem estar infestadas e é muito importante tratá-las também, para que elas não voltem a transmitir o piolho.

O que é piolho? O que é lêndea?
O piolho é um inseto parasita que vive no couro cabeludo e se alimenta de sangue humano. Seus ovos, as lêndeas, são colocadas e afixadas na base dos fios de cabelo pelas fêmeas e, em alguns dias, se transformam em piolhos adultos.
Quais são os sintomas?
Tudo começa com uma "coceirinha", que logo vira um grande desconforto. Incomoda bastante e a criança pode ficar irritada, ter o sono perturbado, perdendo até mesmo a atenção durante a aula. A coceira intensa pode causar feridas no couro cabeludo, podendo ocorrer até uma infecção bacteriana secundária.

Como prevenir e tratar?
A melhor prevenção é a observação. Examine freqüentemente a cabeça das crianças. Assim fica mais fácil detectar a presença de piolhos e lêndeas logo no início. Se houver infestação, lave os objetos de uso pessoal e roupas de cama com água bem quente ou mantenha-os fora de uso por duas semanas. Os pentes e escovas devem ser lavados com água bem quente por 5 a 10 minutos. É importante tratar a pediculose com medicamentos específicos para eliminar piolhos e lêndeas. O uso de pente fino é imprescindível no auxílio à remoção dos piolhos e das lêndeas, completando o tratamento.

FONTE DA PESQUISA: samatende.com.br
Contribuição da professora Renata, do Jardim I - A

12 de março de 2012

Os estudos de Emília Ferreiro e sua expressiva contribuição à educação



A psicogênese da língua escrita, refere-se a uma descrição do processo por meio do qual a escrita se constitui em objeto de conhecimento para a criança. Na verdade, Emília Ferreiro inverteu as perguntas sobre “como alfabetizar as crianças?” – para – “como as crianças aprendem?”.

 A criança é vista como centro e agente do processo de aprendizagem, como sujeito ativo e inteligente. De acordo com Piaget, a criança pensa e elabora hipóteses sobre a escrita. Este é o ponto! A idéia de que a criança precisa pensar sobre a escrita para alcançar a alfabetização, revolucionou todas as outras e colocou em questão a necessidade dos “pré-requisitos” e da “prontidão para a alfabetização”. Até então, as escolas dispunham de salas de prontidão, onde eram aplicadas atividades específicas e exercícios, como: ligar,completar, seguir a seqüência, reproduzir, entre outros. Os alunos somente seriam promovidos para a primeira série, se tivessem alcançado a prontidão necessária e, portanto, “preparados para a alfabetização”.

Emília Ferreiro defendeu a importância de o aprendiz ser exposto ao mundo da escrita, a partir da participação em práticas sociais de leitura e escrita, uma vez que a alfabetização é de natureza conceitual e não perceptual como se pensava. Nesta visão, foi possível ampliar o meio onde se dá a aprendizagem, retirando da escola a responsabilidade pela alfabetização dos alunos, ou seja, o ensino das letras, sílabas e palavras, deixou de ser tarefa exclusiva do educador.

As crianças que não aprendiam de acordo com a expectativa do professor eram consideradas problemáticas, imaturas ou com dificuldades de aprendizagem, necessitando de intervenção específica. Os estudos de Emília Ferreiro nos permitem acompanhar todo o processo de escrita construído pela criança, bem como as hipóteses que elabora a medida que se desenvolve. O que anteriormente foi considerado um problema nos casos em que se acreditava que a criança escrevia  palavras sem sentido, com omissão de letras, tornou-se uma importante descoberta para os pais e professores.Emília Ferreiro chamou a atenção para a importância do ambiente – que deve ser alfabetizador – devido a oferta de oportunidades e de acesso à escrita, diferenciando as crianças entre si. Crianças com mais estímulo e motivação tem maiores chances de construir melhor seu processo de escrita, sem que se constitua um problema para as crianças com menos possibilidades. Ocorre que em decorrência do que foi dito acima, não há déficits, apenas oportunidades! 
Ambiente alfabetizador, não se constitui apenas com a decoração da sala que apresenta palavras, frases, versos, mas por meio da mediação do professor com seus alunos, respeitando o momento de cada um. Os níveis estruturais da linguagem escrita podem explicar as diferenças individuais e os diferentes ritmos dos alunos.

Segundo Emília Ferreiro, os níveis/fases da escrita são:

Nível Pré-Silábico- não se busca correspondência com o som; as hipóteses das crianças são estabelecidas em torno do tipo e da quantidade de grafismo. A criança tenta nesse nível:· Diferenciar entre desenho e escrita.· Utilizar no mínimo duas ou três letras para poder escrever palavras.· Reproduzir os traços da escrita, de acordo com seu contato comas formas gráficas (imprensa ou cursiva), escolhendo a que lhe é mais familiar para usar nas suas hipóteses de escrita.
Percebe que é preciso variar os caracteres para obter palavras diferentes.

Nível Silábico- pode ser dividido entre Silábico e Silábico Alfabético:
*Silábico
-a criança compreende que as diferenças na representação escrita estão relacionadas com o “som” das palavras, o que a leva a sentir a necessidade de usar uma forma de grafia para cada som. Utiliza os símbolos gráficos de forma aleatória, usando apenas consoantes ou vogais ou letras inventadas e repetindo-as de acordo com o número de sílabas das palavras. 
*Silábico-Alfabético
 -convivem as formas de fazer corresponder os sons às formas silábicas e alfabéticas e a criança pode escolher as letras, ou de forma ortográfica ou fonética.

Nível Alfabético- a criança agora entende que:

-A sílaba não pode ser considerada uma unidade e pode ser separada em unidades menores.
-A identificação do som não é garantia da identificação da letra, o que pode gerar as famosas dificuldades ortográficas.
-A escrita supõe a necessidade da análise fonética das palavras.

No trabalho de Emília Ferreiro a escrita é um objeto de conhecimento, levando em consideração as tentativas individuais infantis, a interação, o aspecto social da escrita, onde a alfabetização é um processo discursivo. É importante refletir sobre a importância de a alfabetização ser significativa e contextualizada para a criança. Algumas conclusões: Emília Ferreiro aplicou a teoria mais geral de Piaget na investigação dos processos de aprendizado da leitura e da escrita entre crianças na faixa de 4 a 6 anos. Constatou que a criança aprende segundo sua própria lógica e segue essa lógica até mesmo quando ela se choca com a lógica do método de alfabetização. Em resumo, as crianças não aprendem do jeito que são ensinadas!

Referência:
Ferreiro, Emília e Teberosky, Ana:Psicogênese da língua Escrita
. Ed. ArtesMédicas. Porto Alegre.Kaufman, Ana Maria:A Escrita e a Escola

Colaboração da Profª Raquel, do Jardim II


5 de março de 2012

Mordidas: uma fase do desenvolvimento

 
 
Deparar-se com uma marca de mordida ao buscar o filho na escola não é fácil para nenhuma mãe. Mas por que essa situação é tão comum?
 
Fato comum entre as crianças de 06 meses a 03 anos, as mordidas fazem parte de uma etapa muito importante do desenvolvimento infantil, na qual a criança leva à boca tudo o que encontra pela frente. Nessa fase a criança entende o que acontece ao seu redor e se comunica de forma gestual, pois não consegue fazê-lo verbalmente. As mordidas não são formas de agressividade ou inimizade, mas de se comunicar e de conseguir algo.

Ao iniciar o processo de socialização, a criança usa recursos que já conhece para se relacionar. Se sua relação com o mundo ainda é oral, orais serão as suas manifestações.

 
Para os pais,  sentimento de tristeza e de insatisfação quando nosso filho é mordido é normal, pois muitas vezes, desconhecemos que esta mordida faz parte do desenvolvimento infantil.

Evidentemente, trata-se de uma situação delicada e que precisa ser enfrentada da melhor maneira possível, mas com a parceria Escola / Família, num exercício de paciência e atenção é possível superar essa fase com sucesso.

PUNIÇÃO FUNCIONA?

Quando as mordidas ocorrem, a solução não é a punição pura. O caminho é usar um tom de voz firme e uma expressão facial que mostrem a criança que mordeu que sua atitude é inaceitável, pois fere o amigo, e que exige um pedido de desculpas. A criança que mordeu deverá acompanhar os cuidados do machucado que provocou no colega como uma forma de perceber que o seu ato trouxe conseqüências ruins.

PREVENÇÃO

Nós que trabalhamos com a Educação Infantil sabemos que é impossível impedir as mordidas entre os pequenos, mas que podemos minimizar o problema mantendo uma postura cuidadosa e de vigília.

Vale ressaltar que, à medida que a criança cresce e encontra outras formas de expressar seus desejos, afetos e descontentamentos, gradativamente ela deixa de recorrer a esse tipo de comportamento. No entanto, quando o hábito de morder se prolonga por muito tempo, é bom ter um olhar atento, pois algo não vai bem.
Há um período da infância em que comumente vemos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse. Isso porque, nos primeiros anos de vida, as crianças passam pelo que chamamos de “fase oral”.

 
O termo, criado pelo pai da psicanálise Sigmund Freud, explica o estágio mais primitivo de desenvolvimento, quando as necessidades, percepções e modos de expressão da criança estão originalmente concentrados na boca, lábios, língua e outros órgãos relacionados com a zona oral. As crianças na idade oral ainda não verbalizam com fluência e a linguagem do corpo acaba sendo mais eficaz. Nesta fase ela é egocêntrica, o que significa que imagina que o mundo funciona e existe por causa dela. Portanto, em sua concepção, tudo o que deseja deve ser prontamente atendido e, quando isso não ocorre... Nhack
 
A mordida é uma das primeiras formas de relacionamento, seja pela disputa de objetos ou pela atenção; o que a criança deseja ao morder um amiguinho não é agredi-lo, mas sim obter de forma rápida algum objeto ou chamar atenção.
 
Pais e educadores devem entender que a liberdade para a disputa é fundamental para o desenvolvimento humano, mas é claro que devem se empenhar para que esse comportamento seja controlado, incentivando a criança a utilizar sempre a linguagem verbal.
A passagem da fase acontece de forma gradativa, quando a criança sai do egocentrismo (foco em si mesma) e começa a descobrir o prazer de brincar com o outro, quando se inicia o processo efetivo de socialização. Conforme as crianças crescem, elas aprendem a controlar suas emoções e a se expressar através da fala, deixando a mordida de lado. “O importante é que tanto a escola quanto os pais saibam usar este momento para ensinar á criança regras de convivência”.

 
Apesar de, na maioria das vezes, a mordida fazer parte do desenvolvimento natural da criança,  psicopedagogos alertam que, em alguns casos, este comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional. “Se estas mordidas passam a ser freqüentes, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa, com sentimento de rejeição e tenta chamar a atenção através da agressividade. Quando isso acontece, a família e a escola precisam acompanhar de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas. Falta de carinho e atenção?! Como é a estrutura familiar?! E, dependendo do caso, é importante buscar a ajuda de um psicólogo”, orientam. Contudo os casos de ordem emocional não são em si a maioria.
Definimos então como necessária a compreensão de um dos mais importantes estágios do desenvolvimento psicossexual infantil, e por acreditar nisso que retirei um breve texto sobre o assunto do livro Compêndio de Psiquiatria dinâmica de Kaplan & Sadock, Ed. Artes Médicas, que relata a fase das mordidas também chamada de fase oral.

Fim das mordidas

 
As mordidas costumam acontecer entre 1 e 2 anos de idade, o que não quer dizer que seja aceitável que a criança saia por aí distribuindo dentadas. Morder pode ser a forma de uma criança demonstrar insatisfação enquanto não sabe expressar as emoções com palavras


Fique atento se a criança tornar o comportamento um hábito, principalmente se já estiver maiorzinha. Nesse caso, morder pode ser sinal de problemas de relacionamento e ciúmes, por exemplo.  

Nunca bata no seu filho se ele morder um amiguinho. Converse com ele, quantas vezes for preciso, sobre outras formas de conseguir o que deseja


Criança que morde começa a ser rejeitada pelo grupo. Assim, as próprias crianças do grupo passam a mostrar para a criança que morde que isso não traz benefícios... 
Nunca ceda a um capricho só porque ele ameaçou bater ou morder alguém. Reprima a atitude e mostre o quanto o comportamento é inaceitável


Se seu filho for mordido, nunca o incentive a fazer o mesmo com a outra criança. Mostre que o coleguinha não fez por mal e sugira que ele brinque com outras crianças até que essa fase passe .


Essa é uma fase que precisa da devida atenção e acompanhamento de todos! Escola e família devem estar atentas, pois é um trabalho conjunto!

Texto retirado da Revista Guia Prático Do Professor.
Fernanda Lapenda Silveira